Corte de Cabelos

Assisti um programa de TV sobre a artista Frida Kahlo. Mostraram este quadro, dizendo que a Frida o pintou depois de saber que Diego Rivera, o seu amante, tinha um caso com a irmã dela.
O que me interessou foi que ela cortou os próprios cabelos e mostrou-se vestida de homem. Foi exatamente o que fiz a primeira vez que experiencei a mesma situação de traição. Peguei na tesoura, cortei os cabelos e depois adoptei um estilo masculino. Ao ver que a Frida Kahlo já tinha documentado esse comportamento, deixei de ver no meu uma coisa pessoal. Parece mais um reflexo comum, uma reação simbólica para acabar com a feminidade que fracassou, e que acontece no auge de um sofrimento indizível.
Perguntei-me se fica nos nossos genes a lembrança dos tempos antigos, quando cortar os cabelos era um sinal de luto, ou um rito religioso de renúncia à vida. Esse corte de cabelo é uma mutilação, não tão grave como quando as pessoas cortam os braços, mas é da mesma ordem. O ato recente da Britney Spears entra perfeitamente nesse esquema de sofrimento e desespero profundo que leva a destruir a própria imagem.
Pelo fato, muitas mulheres depois de um fracasso amoroso têm o reflexo de mudar de penteado. Trata-se de uma versão mais soft, controlada, do reflexo radical do corte de cabelo, e que não tem nada a ver com desejos de beleza.
No que respeita a aparência masculina, um psicólogo disse que quando pessoas imitam ou se identificam com outras, não é por amá-las mas, pelo contrário, para não ter que as amar. Neste caso, o traje masculino faz muito sentido, porque ele reflete a vontade de se livrar do amor.
O que me interessou foi que ela cortou os próprios cabelos e mostrou-se vestida de homem. Foi exatamente o que fiz a primeira vez que experiencei a mesma situação de traição. Peguei na tesoura, cortei os cabelos e depois adoptei um estilo masculino. Ao ver que a Frida Kahlo já tinha documentado esse comportamento, deixei de ver no meu uma coisa pessoal. Parece mais um reflexo comum, uma reação simbólica para acabar com a feminidade que fracassou, e que acontece no auge de um sofrimento indizível.
Perguntei-me se fica nos nossos genes a lembrança dos tempos antigos, quando cortar os cabelos era um sinal de luto, ou um rito religioso de renúncia à vida. Esse corte de cabelo é uma mutilação, não tão grave como quando as pessoas cortam os braços, mas é da mesma ordem. O ato recente da Britney Spears entra perfeitamente nesse esquema de sofrimento e desespero profundo que leva a destruir a própria imagem.
Pelo fato, muitas mulheres depois de um fracasso amoroso têm o reflexo de mudar de penteado. Trata-se de uma versão mais soft, controlada, do reflexo radical do corte de cabelo, e que não tem nada a ver com desejos de beleza.
No que respeita a aparência masculina, um psicólogo disse que quando pessoas imitam ou se identificam com outras, não é por amá-las mas, pelo contrário, para não ter que as amar. Neste caso, o traje masculino faz muito sentido, porque ele reflete a vontade de se livrar do amor.
Marcadores: arte, psicologia



6 Comments:
Oi Horvallis, o filme Frida retrata bem também esse momento de sofrimento e dor desse ícone feminino. O que é um pouco mais no caso dela e Diego, é que eles tinham uma relação aberta. Mas aceitar que ele e que sua irmã não souberam respeitar esse laço tão forte, que é o familiar, acho que foi para ela além do normal e aceitável. Eu até hoje não soube entender muito bem isso, mas a verdade é que nem posso imaginar, já que não fui feita para repartir no amor. E acho que os cabelos são um símbolo de feminilidade, cortá-los, como fez Frida, Britney, ou qualquer uma de nós mortais, após uma, como bem dita por vc, falha amorosa, é realmente um ato de auto-flagelamento, uma punição ao nosso próprio fracasso. ah... o coração e o amor, tão controverso em si mesmo, como bem disse Pessoa, nos traz tudo, tantos momentos de profunda alegria como de profunda dor. Quem nunca sentiu que atire a primeira pedra.
oi, vi este mesmo documentário este fim-de-semana. lembre-me do filme, da cena do vestido mexicano na varanda gelada de nova iorque... o símbolo do exílio. e cortar os cabelos, também o é de certa forma.
beijos
Oi Horvallis!
Como vai moça?
Sabe, ontem vi um filme, chamado Angie, que a personagem, a beira do colapso, corta os cabelos. E estava pensando sobre esse negócio da Britney. Ela deve estar passando por uma barra e tanto. E o sanguessuga do marido quer voltar com ela. Abs
Oi Horvalis,
Interessante essa analise. A gente precisa, às vezes, mesmo de materializar a dor, como se ela assim pudesse diminuir ou ser partilhada.
Um abraço
Gabriela
P.S. Depois de longa temporada no Brasil, estou de volta à Italia.
Nunca o tinha visto desta perspectiva. Mas não concordo que seja uma tentativa de masculinização (em geral). A leitura que fiz (e já o fiz efectivamente) foi no sentido de simbolizar um corte com aquela situação em específico. Um corte com o passado que se tornou de algum modo doloroso.
Não tem como ir contra o que esse psicólogo falou. Horvallis, não consigo ler o que está escrito no quadro. Vou tentar dar uma ampliada. ;-)
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