Julho 03, 2008

Quebra-Coração


Numa loja de brinquedos encontrei esse jogo de quebra-cabeça comercializado pela empresa japonesa Hanayama Toyes numa coleção chamada Cast Puzzle.
Ele foi concebido pelo colecionador e inventor de puzzles Nob Yoshigahara (1936-2004).
Gostei por ser um objeto lindo e de muito alta qualidade, mas também porque parece uma metáfora do amor : uma vez separados os corações, é quase impossível juntá-los de novo.
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E, igual à vida verdadeira, a solução dos jogos não fica na caixa !

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Junho 29, 2008

Mais um mês...


Um mês passou e a imagem do post anterior com todas as cores e as flores parece tão irreal quanto um sonho. Desde do começo do ano tivemos um revival das Dez Pragas do Egito. Não houve primavera. A geada queimou as flores das árvores e a maior parte deles não tiveram frutas. Depois choveu o tempo todo o que provocou doenças entre os animais e os vegetais, até que, enfim, no dia 20 de Junho o Verão chegou em ponto. A nossa alegria não durou, pois três dias depois houve uma chuva de pedras de gelo que matou muitas aves e gastou o pouco que restava. Essa impressão estranha de verão natimorto nos deixou um sentimento de tristeza.
Quem acha a situação divertida é o Dandy que passa o tempo a procurar caracóis putrefactos para comê-los.


Os gostos não se discutem !

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Maio 27, 2008

Sinais externos de riqueza


O meu jardim antes do dilúvio que se abateu sobre nós há alguns dias e parece não querer parar.

Quando o meu sobrinho chegou no jardim e avistou o arco de metal que coloquei para as trepadeiras, ele exclamou :
- "Wow ! Cool ! Um arco ! Isso é coisa de rico ! Sim, é ! Os ricos têm muitas dessas coisas ! O jardim da tia é um jardim de rico, com essas flores por todos os lados ! É muito mais bonito do que o meu !"

Quando disse a ele que o arco custa o mesmo que um pacote de nove cartas pokemon, ele estranhou. Depois expliquei que para ter um jardim bonito não é preciso ter muito dinheiro, é sobretudo preciso gostar das flores.

No dia seguinte, ele estragou as poucas flores da mãe - uma punição por ela ter um jardim de pobre quando é tão fácil e barato ter jardim de rico.
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Picture by Horvallis

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Maio 15, 2008

Uma flor do meu jardim para Jujú


Feliz aniversário, amiga !

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Maio 12, 2008

Verde que te quero ver

Passei o fim de semana num mundo todo pintado de verde e azul...













... o mundo dos canais e do rio Loire nos arredores da cidade de Briare.

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Pictures by Horvallis

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Maio 07, 2008

Maio de 68 - Film-tract


os reis


os reis


do imperialismo


transformaram


o progresso tecnológico


e a sexualidade


em instrumento


de repressão


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Ando preparando um artigo sobre a Figuração narrativa, estou em cheio nos anos 60, na arte dos anos 60, nas ideologias dos anos 60, e encontrei esse documento num livro chamado Art et Contestation, publicado em Setembro de 1968.
São imagens tiradas de um film-tract (filme-folheto) . O film-tract era realizado em 16mm, durava 2,5 minutos, e combinava imagens e texto para comunicar uma mensagem, geralmente política.
Foi Chris Marker quem teve a idéia, no começo de Maio de 1968, de pedir a várias pessoas, directores de filmes, escritores, estudantes, para fazerem um filme-tract. Em Agosto de 1968 já quaranta filmes tinham sido realizados.

A cada dez anos, temos as mesmas comemorações que sempre trazem os mesmos debates sobre os efeitos de Maio 68. Quaranta anos depois, a maioria dos slogans parecem fáceis, ridículos, ou mesmo vazios : veja o slogan acima - acho que ele soa muito bem mas não entendo o que ele quer dizer. O fato é que antes de 68 toda forma de poder na França era autoritária e paternalista, e que as coisas mudaram depois. Tenho a certeza que as coisas teriam mudado de toda maneira, com ou sem 68, porque as mudanças já estavam no ar desde do começo dos anos 60. A meu ver, 68 foi mais um desfecho do que um começo. O fim da ilusão de que os sonhos podiam mudar radicalmente o homem e o mundo, e o fracasso dos ideais revolucionários. Tanto melhor, porque cada vez que foram postos em prática esses ideais se transformaram em máquinas de repressão e de morte.

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Maio 04, 2008

M 301

M 301 (1970) de Peter Stämpfli,
A obra faz parte da exposição
Figuration narrative Paris - 1960-1972
Galeries Nationales du Grand Palais, Paris
(16 de Abril a 16 de Julho)
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Picture by Horvallis

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Abril 28, 2008

Igreja Saint-Merry, Paris




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Pictures by Horvallis

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Abril 22, 2008

Dandy

Dandy e os irmões


Estou sem tempo para manter o blog, quase sem novidade para contar e, pior ainda, sem idéias para compartilhar.
A única novidade por aqui vai ser o Dandy, que pelo momento ainda mora com a sua família, mas que em breve vai ser o novo filho dos meus pais.
Que fofinho !

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Sei que a minha fotografia se parece com uma imagem para ilustrar reportagens sobre os animais abandonados ou maltratados, mas é a minha preferida das poucas que tirei. Vou mostrar outras quando o Dandy chegar.

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Março 30, 2008

Planta misteriosa


Comprei um ramo de flores porque havia nele essa planta que nunca tinha visto antes.
Alguém já viu e sabe como se chama ?

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Março 08, 2008

Dia Internacional da Mulher

Ooops ! estive tão ocupada em cuidar da minha aparência e em saborear meu cafezinho que esqueci de escrever coisas inteligentes sobre as mulheres.
Virei totalmente artificial e superficial - quer dizer que tenho agora todas as qualidades para me tornar famosa e conquistar o mundo.
Só me resta colocar os meus vídeos pornôs na Internet para mostrar que sou uma verdadeira mulher liberada do século XXI.

A revista na qual escrevo não esqueceu e dedicou o último número ao tema da mulher e da arte.
Não podiam escolher uma capa mais provocante do que esse casal de noivos tradicionais.

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A fotografia de cima é uma propaganda pelo café Lavazza. Linda composição.

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Março 05, 2008

Critérios de Beleza

Polaire (1874-1939)

Sempre falamos na ditatura da moda e da beleza contemporânea como se fosse uma novidade, mas algumas fotografias antigas nos lembram que a coisa é tão velha quanto o mundo.
Encontrei a fotografia acima num livro dedicado a Polaire, uma cantora de café-concert, que estreou como atriz de teatro em 1902, criando o papel da Claudine de Colette.

No fim do século XIX, e até a revolução do abandono do corpete por Paul Poiret nos anos 1910, os critérios de beleza exigiam um corpo roliço e uma cintura finíssima. Ao ver as fotografias das belezas da época, a impressão que predomina é que a criaturas não tinham ossos nem músculos. Como é quase impossível combinar uma aparência roliça com um cintura estreita, podemos imaginar quanto tinham que torturar o corpo.

Polaire, estabeleceu a sua fama (além de cantar canções fáceis com subentendidos sexuais), no fato de ter uma cintura de vespa, de 42 centímetros.
Nas fotografias da Polaire, vemos essa cintura ridiculamente fina, pois é exatamente do mesmo tamanho que o pescoço dela. Parece surrealista ! Ao observar a fotografia de perto, percebe-se que a idéa de melhorar as aparências e as formas nas fotografias não nasceu com Photoshop. Nas fotografias dessa época, a silhueta da Polaire era sempre cuidadosamente retocada e a cintura diminuída. Não são mais 42 centímetros que vemos, mas 30. E, com certeza, havia mulheres sonhando com uma cintura tão minúscula e que apertavam o corpete até desmaiar.

Cada época produz os seus modelos de beleza inaccessiveis. Inaccessíveis, porque o alvo é menos a beleza do que o estabelecimento de um sistema de seleção social. Da mesma maneira que existem critérios de seleção naturais para a reprodução e a perpetuação das espécies, cada sociedade produz os seus critérios de seleção artificiais que dizem respeito à posição na pirâmide social. É por isso que os critérios precisam ser difíceis de conseguir, e é por isso também que os critérios arbitrários inaccessíveis de uma moda acabam sempre substituídos por outros critérios tão arbitrários e inaccessíveis quanto os precedentes. O objectivo não sendo de tornar as coisas fáceis mas, pelo contrário, de eliminar a maioria das pessoas para criar uma elite.

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Mais sobre Polaire

Nessa fotografia, ela me lembra Amy Winhouse
A Polaire teve tanto sucesso com Claudine que a personagem da peça virou moda. As mulheres vestiam-se de Claudine, cortavam os cabelos à maneira de Claudine. O "colarinho claudine" virou um clássico da moda. A moda conquistou até os setores mais inesperados : cada bordel tinha uma Claudine que, muitas vezes, atendia o cliente numa encenação copiada da peça de teatro.

Para quem quiser ouvir Polaire cantar, há algumas canções neste site (procure os pequenos quadrados azuis com as notas de música - Le Train du rêve tem a melhor qualidade sonora).
Acho que a voz não combinava com o tipo físico dela, mas os trechos foram gravados no anos vinte e ela já era velha. Ela cantava e soava como soavam todas as cantoras populares do tempo.

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Fevereiro 27, 2008

Fase Rainman - A Streetcar

A Streetcar Named Desire

Estou na minha fase "Rainman" - chamada assim por referência ao filme com Dustin Hoffman. O genérico final do filme mostra todas as fotografias que o Rainman tirou durante a viagem com o irmão, e vê-se que ele fotografou somente números. Faço quase a mesma coisa, mas com os papéis deitados no chão.
A fotografia mostra uma cena do filme Um Bonde chamado desejo, com Marlon Brando. Estava num caminho no meio dos campos. Achei surrealista, e até poético, o contraste entre o tema da fotografia e o lugar selvagem. Parecia uma espécie de mensagem do destino.

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Fevereiro 16, 2008

Carrossel


Gostei muito do contrasta entre a riqueza das decorações e os galhos nus.
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Atravessei um período demorado de falta de inspiração. A falta de inspiração é uma coisa estranha. Não somente não dava para escrever coisas sensatas, mas também afectava a minha maneira de fotografar. Durante todo esse tempo as minhas fotografias também saiam péssimas.

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Símbolo...



Quanto gosto de ver essas flores no jardim ! Para mim, elas são o símbolo do retorno da primavera.

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Fevereiro 08, 2008

Death Proof - À Prova de Morte


Death Proof de Tarantino. Um filme marcante, catártico, com esse final encenando o que deve ser a fantasia absoluta de toda mulher.


Ouvi dizer que Tarantino projeta de fazer uma versão do Faster Pussy Cat Kill ! Kill ! de Russ Meyer. Faz sentido porque depois de Kill Bill e Death Proof, só falta, nessa galeria de mulheres poderosas, o retrato de uma predadora.
Vendo o Faster Pussy Cat, um filme de 1965, tive a impressão que houve, depois dos anos 60, uma regressão na maneira de mostrar as mulheres nos filmes, e talvez uma regressão nas mulheres mesmas. Os filmes dos anos 60 mostravam mulheres muito mais inteligentes, poderosas e, finalmente, mentalmente muito mais livres, do que os do nosso tempo. Depois dos anos 70, acreditou-se que fazer sexo livremente queria dizer ser livre e ter poder, mas, na verdade, fazer sexo livremente somente significa fazer sexo livremente. A liberdade sexual é somente um dos aspectos da liberdade, e ao confundir esse símbolo com a Liberdade e o Poder mesmos, nos enganámos e nos contentámos com pouco.
Se o cinema reflecte a sociedade do seu tempo, ao comparar as mulheres dos filmes de hoje e as do passado, parece que perdemos o nosso poder mental e a nossa grandeza.

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Janeiro 31, 2008

Selos "haute couture" - Franck Sorbier





Franck Sorbier, 2008.

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Janeiro 10, 2008

Flor de metal


Brinquei de fotógrafa com um dos meus presentes de Natal : um frasco collector da Eau de Minuit de Lolita Lempicka...

O frasco coberto de metal prateado permite um infinidade de efeitos quase psicadélicos. Combina muito bem com a compilação de electro/techno music que achei numa revista de arte e ando ouvindo nesses dias.
Difícil imaginar há somente um mês que ia me deleitar com as músicas de Simian Mobile Disco e do Rasputin disco Sébastien Tellier...
Cadê a pista de dança ?!!



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Lolita neste blog
aqui e aqui.
Sébastien Tellier

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Janeiro 01, 2008

Feliz Ano Novo



Que 2008 lhe traga Sorte, Saúde, Amor,
Dinheiro e todas as Felicidades da Vida...


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Acabei 2007 and comecei 2008 com falta de quase todas as coisas listadas acima - daí o sumiço...
Vou achar 2008 ótimo se eu puder encontrar somente uma ou duas delas !!!
Apesar do silêncio não esqueço de vocês.
Volto em breve ! Uma das minhas boas resoluções de ano novo é reviver este blog e retomar contato com todas as maravilhosas pessoas que encontrei aqui.
Beijos !


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