O Ano Passado em Marienbad,
Alain Resnais, 1961.
Encontrei essa citação num blog :
Só então se dá conta de que todos estavam mortos há muito tempo, contaminados pelas radiações que impulsionavam a máquina.
Adolfo Bioy Casares
O trecho me remeteu para o filme O Ano Passado em Marienbad que vi pela primeira vez há alguns meses...
Durante os dez primeiro minutes tive (provavelmente como todo mundo) a tentação de apagar a TV, pois o filme mostra o interior de um castelo vazio enquanto uma voz masculina repete essas frases como uma litania :
Salões vazios. Corredores. Salões. Portas. Portas. Salões. Cadeiras vazias, poltronas profundas, tapetes espessos. Cortinas pesadas. Escadas, degraus. Passos,um após o outro. Objetos de vidro ainda intacto, copos vazios. Um copo que cai, três, dois, um, zero. Vidro quebrado, cartas.
Não entendia nada e pensei que fosse um desses filmes inteletuais, pretenciosos e chatos, mas fiquei pela beleza das imagens, dos lugares.
Acabei por gostar muito, não por entender mehor, mas porque ele faz parte dos filmes, nos quais o interesse reside mais no mistério - com a elaboração de hipóteses, teorias e explicações -, do que no entendimento.
Será que ele conta um sonho, será que o homem perdeu a memória, será que é loucura, negação da realidade... Será que o castelo é uma fantasia, um hotel, um manicômio...

Entre as hipóteses, a influência do livro de Adolfo Bioy Casares, A Invenção de Morel, que li depois, e que, com efeito, traz uma luz nova sobre o filme.
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